Veja matéria completa no link:
http://www.jornaldaorla.com.br/noticias_integra.asp?cd_noticia=2233
Discursos com palavras rebuscadas — muitas vezes inexistentes —, exageros, mentiras. Promessas praticamente impossíveis de cumprir. No corpo-a-corpo, elogios, abraços, tapinhas nas costas. Distribuição de brindes, convites para churrascadas... Estratégias como essas, que compõem o método “tradicional” de fazer política, estão com os dias contados. O eleitor de hoje é mais exigente e não se satisfaz mais com as artimanhas usadas por Odorico Paraguaçu, o prefeito de Sucupira interpretado por Paulo Gracindo na novela “O bem amado”.
É o que garante a consultora Reginah Araújo, MBA em Gestão Estratégica, que realiza palestras para futuros candidatos. Segundo ela, a principal arma que os políticos devem usar é afinar o discurso com as necessidades do eleitor. "A consciência política do brasileiro evoluiu nos últimos anos e o eleitor está mais atento, mas ainda é muito emotivo", diz a especialista, que ministra cursos para políticos no Brasil, Portugal e Angola.
Em suas palestras, Reginah usa exemplo de casos que deram certo, como a campanha que levou Fernando Collor ao poder em 1989. "Foi a primeira vez que uma campanha de marketing profissional ajudou a ganhar uma eleição. Além de o discurso coincidir com os anseios da população, ele representava uma mudança depois de tantos anos de ditadura e de uma eleição indireta".
Mas a campanha de Collor consumiu muito dinheiro, o que não é o caso da maioria dos candidatos que precisam obter resultados usando a criatividade. Reginah diz que o político que quer ganhar a eleição hoje deve mostrar por que é diferente dos outros e um dos principais meios para isso é a televisão. No entanto, poucos sabem usar essa ferramenta.
Para a especialista, o político que aparece na televisão deve defender alguma bandeira e falar palavras chaves. "O Collor falava em mudança; o Lula em esperança; o Enéas, que tinha muito pouco tempo, preferiu fixar o nome com o chavão: Meu nome é Enéas - e todas essas táticas deram certo".
A palestrante diz que estudos sobre a comunicação humana indicam que as pessoas prestam atenção em 7% do que as outras falam; 38% no tom de voz e 55% no corpo. Por isso, o novo político deve dar ênfase ao discurso, ter boa aparência e, principalmente, desenvolver o carisma.
Ela cita mais um exemplo, dessa vez o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sabe usar como ninguém a empatia que tem com o povo. "Nem sempre foi assim, no começo Lula estava sempre mal-humorado e não falava com empresários. Hoje, ele mudou muito sua figura — para melhor. Quando fala na televisão está sempre de bom humor, a população entende suas metáforas e a popularidade nunca esteve tão alta. Estão em total sintonia. Até a mulher dele, a dona Marisa, está melhor do que antigamente. O Lula usa todas essas táticas para atingir seus objetivos e não há nada de mal nisso".
No corpo a corpo, a coisa também não é fácil. Sorrisos, acenos, tapinha nas costas e a abominável "tática" de segurar criancinhas no colo não funcionam mais. Segundo Reginah, o candidato deve saber ouvir mais do que falar. "Um comício de dez minutos é mais do que suficiente. O candidato deve usar metáforas e contar "causos" para passar sua mensagem. Cite um problema da vizinha que foi resolvido, assim ele mostra que se importa com o problema das outras pessoas".
Mas a especialista garante que saber ouvir é fundamental. "Ouvir com os ouvidos, os olhos e o coração. Se houver alguma reclamação, que peça para um dos assessores anotá-la. Se puder resolver um problema antes da eleição, só vai ganhar pontos".
Se o discurso é de mudança, o candidato deve mostrar que ele mesmo pode mudar, apresentando novas propostas e novos projetos. Deve dar uma nova abordagem para velhos problemas. Não precisa ficar sério, mas também não precisa ficar cumprimentando todos na rua. "Tem de saber até a hora de sorrir”.
Para aqueles que pleiteiam a reeleição, é fundamental que tenha cumprido o que prometeu na eleição anterior, sob pena de cair no descrédito. A campanha não acaba quando o candidato ganha. "Amanhã, o vereador pode querer se tornar prefeito e aí vai ter de prestar contas novamente".
|