Matéria mês de novembro
Você sabe qual a maneira correta de pedir demissão?
Daniel Limas
Imagine-se na seguinte situação: você está empregado e acabou de ser aprovado num processo seletivo. Certamente você já viveu essa situação ou conhece alguém que já tenha passado por isso, não é? Mas é nessa hora que surgem inúmeras dúvidas sobre como agir ao pedir demissão. Ser ético é a solução. Aliás, não só nesse momento.
Apesar de aparentar ser enorme, no mercado, é fácil as pessoas se conhecerem e se cruzarem com freqüência. Além disso, uma vez que seus ex-colegas podem ser seus futuros colegas novamente, manter um bom relacionamento e bons contatos é fundamental para seu networking. Portanto, todo cuidado é pouco!
A primeira atitude é estar certo da sua decisão. “Nunca pergunte ao seu superior se você deve sair ou não. Isso pode soar como um leilão”, André Bruttin, professor de Psicologia Organizacional da PUC-SP e consultor da Reciprhocal. “Caso você ainda tenha dúvidas se aceita ou não o novo cargo, converse antes com amigos e parentes. Não é preciso tomar a decisão sozinho.”
A primeira atitude após se decidir em deixar a empresa é informar o seu chefe imediato. Nada de sair comentando com seus colegas ou ir ao RH. “Não tratar este assunto com o seu chefe em primeiro lugar pode soar como insubordinação. Outra dica é marcar uma reunião, em um momento propício, para comunicar a sua decisão”, explica Reginah Araújo, palestrante motivacional e coaching. Isso evita boatos e conflitos entre a equipe para ver quem vai assumir a vaga.
Prepare-se para esta reunião. Tenha argumentos racionais e objetivos que expliquem a sua saída. Seu chefe pode lhe propor aumento de salário, mudança de área, promoção ou nada disso. Esteja preparado, inclusive, para ter que deixar a empresa imediatamente ou para sair depois de 30 dias. Além disso, tenha em mente o mínimo e o máximo que você aceitaria para ficar na empresa. “Para você mudar de emprego, certifique-se de que a proposta realmente seja melhor. Muitas vezes não contabilizamos um gasto maior de combustível, não pensamos na distância maior, no estresse, no vale-refeição. Tem que ser bastante frio para avaliar a situação”, pontua Reginah Araújo.
Vá também munido de argumentos lógicos que expliquem a sua decisão. “É muito importante que você agradeça e elogie a empresa que você está deixando, sem mentir, claro”, explica André Bruttin. Muito menos, saia falando mal da empresa ou chefe, apesar de a vontade de desabafar seja enorme. Metralhar a empresa com um monte de críticas e apontar tudo o que não funciona pode ser muito ruim para o profissional e fechar diversas portas. “Quem escutar as críticas vai pensar que você não contribuiu para resolver essa situação que tanto incomodava. No entanto, críticas pontuais que expliquem a sua saída devem ser ditas, sim, como assédio moral, descumprimento de algo conversado com o RH, falta de perspectivas de crescimento e desenvolvimento”, explica o consultor.
Outra recomendação para deixar as portas abertas ao sair da empresa é ter humildade. Para Reginah Araújo, muita gente sai se achando o maioral e sai contando que vai ganhar o dobro, e fala mal de todos. Mesmo que você tenha razão, não fale tudo o que pensa.
Matéria na íntegra no site http://www.catho.com.br:80/jcs/inputer_view.phtml?id=10322